Um advogado foi preso em flagrante na última terça-feira (20), em Belém, suspeito de tentar matar a ex-companheira a facadas em um apartamento no bairro de Nazaré, no dia anterior.
O crime, registrado como tentativa de feminicídio, mobilizou a Delegacia de Enfrentamento ao Feminicídio e Outras Mortes Violentas em Função de Género (Defem). A vítima foi atacada com três golpes de faca na região do abdômen após o agressor invadir o imóvel pertencente à própria mãe dele.
O caso evidencia a persistência da violência de gênero no Brasil, um problema estrutural que atinge mulheres independentemente de classe social ou profissão do agressor. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país registra altos índices de feminicídios anualmente, muitas vezes precedidos por ciclos de ameaças e violência psicológica.
Segundo relatos colhidos pela Polícia Civil, o suspeito planejou a ação agressiva e chegou ao local portando uma arma branca adquirida especificamente para o ataque. Áudios enviados pelo investigado a familiares da vítima logo após o crime confirmam a premeditação da tentativa de homicídio.
A delegada Adriany Carvalho, titular da Defem, destacou a rápida resposta das forças de segurança para localizar o suspeito. As equipes policiais utilizaram uma fotografia enviada pelo próprio advogado a um familiar para rastreá-lo e efetuar a prisão em um hotel na capital paraense.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) agiu prontamente diante da gravidade dos fatos e determinou a suspensão cautelar do exercício profissional do investigado. A instituição reiterou o repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher e pontuou que a conduta é incompatível com a ética exigida na advocacia.
As autoridades policiais prosseguem com as investigações, analisando laudos periciais do local do crime e da arma apreendida para consolidar o inquérito. O suspeito permanece à disposição da Justiça para a realização da audiência de custódia e desdobramentos legais do processo.
Nos próximos dias, o Judiciário deverá avaliar a conversão da prisão em flagrante em preventiva, enquanto a OAB-PA conduzirá o processo disciplinar interno para definir sanções adicionais cabíveis ao profissional.


