Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) cobra que a Meta elimine, no prazo improrrogável de 24 horas, postagens que estimulem perseguição política no ambiente corporativo. A medida abrange as redes Facebook, Instagram e Threads, responsabilizando a gigante de tecnologia pela circulação de conteúdos que orientam patrões a vigiar, retaliar e dispensar empregados com base em suas escolhas eleitorais. O órgão pleiteia também o pagamento de R$ 50 milhões em indenização por danos morais coletivos perante o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2).
Contraste entre urgência e o calendário judicial
Subscrita por sete procuradores, a petição inicial enfatiza o perigo da permanência dessas publicações na rede. Contudo, apesar do pedido de liminar urgente, o primeiro encontro formal entre as partes foi marcado apenas para 29 de março de 2027, na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo.
Escalada das queixas após o pleito eleitoral
O movimento judicial ocorre em meio a um salto expressivo nas queixas de perseguição partidária laboral. Logo após a realização do segundo turno das eleições gerais, que culminou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as notificações dessa natureza cresceram mais de 75%, somando 1.459 ocorrências registradas em território nacional.
O estado de São Paulo lidera o ranking de relatos com 620 registros, seguido por Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165). As apurações apontam para uma onda de orientações digitais incentivando empregadores a inspecionar as contas pessoais dos funcionários na internet, visando desligar sumariamente aqueles que manifestaram votos divergentes.
Alcance impulsionado por algoritmos
Segundo o MPT, os mecanismos de recomendação da dona do Instagram — incluindo as ferramentas “Explorar” e a distribuição de vídeos nos “Reels” — desempenham papel crucial na difusão da prática, priorizando posts de alta repercussão. Em um único perfil com 3,8 milhões de seguidores, apenas quatro postagens dedicadas a esse propósito acumularam mais de 2 milhões de interações positivas.
De acordo com o órgão, “Outras publicações expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões”.
Procurada para se posicionar a respeito da ação e das medidas solicitadas pelas autoridades trabalhistas, a Meta declarou que não se pronunciará sobre o assunto.


